Maresia

Exposição de Pablo Sycet

Quando: 
7 de Março de 2017 a 30 de Abril de 2017
Onde: 

Sala Azul | Museu Nacional de História Natural e da Ciência

MARESÍA

Para além de uma exposição antológica de pinturas de Pablo Sycet (Gibraleón / Huelva, 1953), tendo o mar como único tema ao longo de três décadas, o que poderia ser uma primeira leitura de Maresía, do ponto de vista conceptual, a presente proposta ultrapassa uma exposição de pinturas sobre o mar; na realidade trata-se da sua ausência sugerida pela representação pictórica. Maresía submerge-nos numa experiência sensitiva sobre o mar ausente, imaginado através dessa representação pictórica em duas dimensões, e substituído pelas três dimensões que constituem os elementos que o definem e representam: o sal que lhe dá seu carácter, os animais vivos, algas e plâncton que o povoam e lhes dá sustento e nos dão informação sobre os movimentos das marés. Por Lisboa ser uma cidade que se assoma ao oceano através do rio Tejo, e que vive tanto os seus prazeres como as suas ameaças. Os lisboetas têm uma relação com uma ampla faixa de azuis marinhos omnipresente no quotidiano, uma sensação ambiental complexa que se conhece como Maresía, termo português que não tem tradução em castelhano - olor de mar, talvez o termo mais próximo do sentido em português. - Na Península Ibérica também em certas zonas costeiras da Galiza e, já fora dela, nas Ilhas Canárias, o termos é usado, pelo que se pode afirmar que essa sensação de odor e ambiente ser genuinamente atlántica e lusa. No projeto expositivo Maresía, o autor formula um novo conceito do termo: Maresía pode ter uma nova leitura, ampliando e multiplicando os seus significados: não será apenas o cheiro a mar, mas também a possibilidade de reconstruir essa memória marinha que todos nós interiorizamos a primeira vez que olhámos o horizonte eternamente azul, recreado aqui pelas pinturas de um artista espanhol que ama Lisboa e os portugueses como se se tratasse da sua cidade e o seu bilhete de identidade.

Rosa Plata

 

A Maresia de Pablo Sycet

Num Museu de história natural a inclusão de exposições de arte poderá parecer até despropositada, neste museu não o é. Há muito que aqui a Ciência convive com a Arte, com o objectivo de trazer ao museu novos visitantes, cruzar públicos e criar novas sensibilidades. O museu contemporâneo tende para a convergência e interacção das actividades culturais, potenciadoras de conhecimento e interesse das populações, determinantes na ligação do museu à cidade. A exposição Maresia vem ao encontro deste pressuposto. Nesta exposição de pintura de Pablo Sycet estamos perante mais uma exposição que interage com a nossa temática e colecções naturalistas. A exposição é composta por cerca de 20 pinturas relacionadas com o tema principal, o mar, que está presente não pela sua representação realista, mas pela sua ausência intencional. Pablo Sycet ao longo do seu percurso artístico vem demonstrando uma apetência e uma sensibilidade para a reconstrução onírica do quotidiano, aliada à conjugação de uma paleta de cores linear que acentua o efeito cenográfico das pinturas. Complementa a exposição a instalação Maresia, como diz Pablo Sycet “constituída por algas, espinhas de peixe, sal, bocados de redes... e restos de uma velha embarcação de madeira sobre os que se dispuseram imagens recortadas da imprensa referentes aos naufrágios de tantas pessoas que embarcam à aventura, à procura de um mundo melhor e podendo naufragar sem atingir seu sonho.” A arte construída a partir da natureza pode evoluir de uma forma estática para uma forma dinâmica, onde o experimentalismo se torna preponderante e consequentemente cria uma aproximação entre a arte e a ciência. Os museus dos dias de hoje querem-se permeáveis e desejavelmente interdisciplinares.

Sofia Marçal
Museóloga
Museu Nacional de História Natural e da Ciência

Exposição temporária