Flora dos Lusíadas

No mês em que comemoramos os 180 anos sob o nascimento do Conde de Ficalho, destacamos uma das suas obras e uma folha de Herbário revista por si.

Este mês comemoram-se 180 anos sob o nascimento de Francisco Manuel de Melo Breyner (1837-1903), figura incontornável da Escola Politécnica e do Jardim Botânico de Lisboa. Filho dos 2.º Marqueses e 3.º Condes de Ficalho, além de professor emérito do Instituto Agrícola e da Escola Politécnica, distinguiu-se como um dos mais importantes homem de letras e botânico do seu tempo.

Nomeado Lente substituto de Botânica da Politécnica, em 1861, com apenas 24 anos, no entanto, ascenderia apenas a Catedrático 29 anos mais tarde. No âmbito da sua atividade letiva, impulsionou e orientou a construção do Jardim Botânico da Escola Politécnica, previsto desde 1840 e destinado a substituir, para efeitos de ensino, o Jardim Botânico da Ajuda.

Em 1873, encarregou o alemão Edmund Goeze (1838-1929) do desenho e construção da parte de sistemática botânica, no plano superior do Jardim (a Classe). Com ele, Ficalho dedicou-se à seleção de plantas e árvores, à transplantação de espécies do Jardim Botânico da Ajuda e à transação científica com pares estrangeiros. Em 1876, Ficalho escolheria o botânico francês Jules Daveau, com quem manteve um profunda relação de amizade, para o arranjo do arboreto, na parte inferior do Jardim, que ficaria concluído em 1878.

Como botânico e taxonomista, Francisco Manuel de Melo Breyner dedicou-se ao estudo da flora africana, em particular do herbário angolano colhido por Friedrich Welwitsch. Das suas muitas obras, destacam-se a Flora dos Lusíadas (1880), aqui em exposição este mês; a Memória da Malagueta (1883); Garcia de Orta e o seu Tempo (1886), que serviu de preparação à publicação de uma edição crítica em dois volumes dos Colóquios dos Simples e Drogas da Índia  (1891 e 1895).

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