Poríferos Preciosos

Exposição de Thomas Mendonça

Quando: 
11 de Julho de 2017 a 23 de Julho de 2017
Onde: 

Museu Nacional de História Natural e da Ciência

“Poríferos Preciosos” é uma exposição de cerâmica de Thomas Mendonça que estará patente na sala da Baleia, no MUHNAC, a partir de 11 de julho. De acordo com o artista a escolha deste espaço para apresentar estes poríferos «deve-se à vontade de fundi-los (e talvez confundi-los) com os restantes espécimenes, tornando-as parte da exposição, criando assim uma ponta entre o a história natural e a arte contemporânea».

Thomas Mendonça explica que esta exposição «é um conjunto de esculturas - em constante desenvolvimento - representativas dos poríferos recolhidos entre o oceano de amoníaco em Tritão, os vários mares subterrâneos de Ganímedes, Encélado, Titã e Mimas, um possível rio de nitrogénio em Plutão, e os lagos sólidos de Ceres, Calisto e Europa. Elas são a tentativa concretizada de dar corpo à mistura entre os poríferos que por aqui conhecemos e aquilo que eu imagino quando penso num mar gasoso na outra ponta do sistema solar. Fazem a ligação entre as influências formais que colho nos campos de corais e o luxo que é poder fantasiar - sem medo - acerca do (quase) desconhecido. Por falar em luxo, estes poríferos não são feitos de pedras preciosas e nada do que neles reluz é ouro, a sua preciosidade reside-lhe nas entranhas. Como nos meninos mais gentis, onde o interior conta acima de tudo, são os seus corações que melhor deverão ser preservados. 

Todos estes animais que parecem calhaus – nem sempre providos de olhos - carregam em si os meus sentimentos mais profundos, ainda que por vezes relativamente superficiais, dependendo da melodia de cada dia. As palavras inscritas nos seus interiores surgem com o intuito de potenciar um fascínio de outra natureza para além do possível fascínio estético. Condicionando a sua visibilidade, estas podem muito facilmente passar despercebidas. Tudo isto ganha um sentido ainda mais profundo quando se trata de uma escultura cujo o interior é totalmente inacessível ao olhar e onde estas inscrições acabam por estar presentes sem propriamente existirem, uma vez que nunca se deixam revelar. 

Creio profundamente na relação intimista que este jogo especulativo - acerca daquilo que poderá ou não conter uma determinada escultura - estabelece entre o espectador e a escultura em questão. Alimento essa relação pois agrada-me a ideia que terceiros possam descarregar os seus próprios sentimentos e/ou inscrever mentalmente as suas próprias palavras no interior de cada uma delas».

 

Sobre o artista:

Thomas Mendonça (n. 1991, França), artista plástico licenciado pela ESAD.Cr, trabalha e reside em Lisboa onde expõe regularmente. Os seus focos de interesse distribuem-se entre melodramas sentimentais, pop culture e a beleza da singularidade icónica no geral. A sua produção manifesta-se através de variadas tecnologias, embora com maior ênfase no desenho e na cerâmica onde desenvolve uma linha de esculturas únicas inspiradas nas formas orgânicas presentes nos "campos" de corais.

Inauguração dia 11 de julho, às 19h00.

Exposição de Arte e Ciência