Briófitos e os Líquenes

No mês de dezembro destacamos dois tipos de organismos, os Briófitos e os Líquenes, bastante afetados na quadra natalícia devido ao seu uso crescente na decoração, principalmente de presépios.

Os briófitos (musgos, hepáticas e antóceros) e os líquenes (também conhecidos por musgos das árvores) são componentes importantes da biodiversidade. De uma forma geral, apresentam dimensões semelhantes e estão muitas vezes associados na natureza, apresentando o mesmo tipo de requisitos ecológicos. Os briófitos são plantas e os líquenes resultam da associação entre uma alga e um fungo. Não produzem flores ou sementes (produzem esporos), não possuem raízes e não têm vasos condutores, para o transporte água e nutrientes.

Estes organismos desempenham um papel muito importante nos ecossistemas, sendo bons indicadores da qualidade dos habitats e do seu funcionamento ecológico. Criam condições para a acumulação de húmus, estabilização do solo, contribuindo  para a fixação e germinação de sementes e servindo de alimento e proteção para diversas espécies de animais. Em dias de precipitação ou nevoeiro, funcionam como “esponjas”, causando um escoamento mais lento da água até ao solo, evitando os turbilhões de água. Existem também espécies que germinam após um incêndio (devido ao calor nos esporos), sendo fundamentais na recuperação ambiental pós-fogo.

Muitas destas espécies de briófitos e líquenes são bastante sensíveis a distúrbios provocados pelo homem, estando mesmo em risco de desaparecerem. Os briófitos, cuja conservação é ameaçada pela colheita desregulada no período natalício, são neste momento alvo da elaboração de uma lista vermelha europeia pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), que conta com a participação de investigadores do Museu, e que irá contribuir para a preservação destas espécies. Os líquenes estão também muito ameaçados, apesar dos mais utilizados estarem protegidos por legislação europeia, são muito utilizados na decoração natalícia.

Em dezembro estes organismos são bastante afetados, em primeiro lugar porque a colheita é feita por quem não tem ideia da vulnerabilidade das espécies que colhe, e porque são colhidas grandes quantidades para venda Os habitats naturais onde estas espécies são colhidas ficam bastante fragilizados. O impacto é assim enorme, não só para estes organismos, mas também para todos os outros que com estes se relacionam.

 

ALTERNATIVAS

“Searinhas” nos presépios: os germinados de cereais (ex. trigo, aveia, cevada) em 5 passos

1. Colocar uma boa quantidade de sementes de trigo num recipiente fundo e adicionar água até cobrir;

2. Deixar demolhar cerca de 24 horas e escorrer toda água no fim desse período; enxaguar e escorrer;

3. Colocar as sementes húmidas num prato de forma a cobrir o fundo (ou noutro recipiente plano);

4. Tapar com toalha húmida (sem envolver). Uma vez por dia (pelo menos) e durante 2-3 dias inundar as sementes e escorrer toda a água deixando as sementes húmidas; voltar a tapar com toalha novamente humedecida.

5. Ao fim de 3-5 dias, os germinados serão já bem visíveis e podem ser utilizados. Se as sementes continuarem a ser humedecidas da mesma forma, as plantas vão crescendo e podem inclusive ser aparadas.

 

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