Megaloceros giganteus

A assinalar os 40 anos do incêndio que assolou o edifício do MUHNAC, na altura Faculdade de Ciências, conheça a história do esqueleto fóssil de um exemplar de Megaloceros giganteus através do seu crânio

“Naquele fim de tarde de sexta-feira demos por terminada a tarefa de retirar as Colecções de Paleontologia da que tinha sido, até então, a sua sala no espaço expositivo do Museu. Iam começar as obras para permitir a instalação de uma nova exposição. Uma das necessárias operações foi retirar o esqueleto fóssil de um exemplar de Megaloceros giganteus, veado gigante que dominava a sala e que por isso era informalmente conhecida como “Sala do Veado”. A cabeça, e as suas hastes com cerca de 3 metros de envergadura, não passava na porta a não ser de lado. Por isso o crânio foi destacado e arrumado numa sala contígua, acondicionado com todos os cuidados. O corpo foi deslocado para outro espaço bem mais longe da Sala de Paleontologia.

Encerrada a tarefa que levara alguns meses, festejámos. Longe estávamos de imaginar que nessa noite e na madrugada seguinte - 18 de Março de 1978 - , um incêndio destruiria grande parte deste edifício que albergava a Faculdade de Ciências e o Museu. Em resultado da diferente localização das duas partes do fóssil de Megaloceros, a cabeça foi completamente destruída e o corpo sobreviveu. Mesmo sem cabeça, o veado permaneceu como um símbolo do que tinha acontecido.”

Quarenta anos depois do incêndio foi possível adquirir uma réplica de um crânio de Megaloceros com dimensão equivalente ao original pertencente às colecções do Museu. O veado pode continuar a ser um símbolo. Agora do processo de reconstrução desenvolvido.

 

Megaloceros giganteus Blumenbach, 1799

Esta espécie é conhecida como veado gigante da Irlanda por, desde o século XVI, ser referida a existência de centenas destes fósseis em turfeiras da Irlanda datadas de há cerca de 12 000 anos. D facto é o maior veado que jamais existiu: 2,10 metros de altura ao garrote e 3,50 metros de envergadura nas hastes. No entanto, a sua área de distribuição veio a revelar-se muito mais extensa: da Irlanda à Sibéria e à China.

Na Irlanda ter-se-ão extinguido há cerca de 11 000 anos, mas achados recentes confirmam a sua existência ainda há cerca de 7 700 anos na Sibéria.

O exemplar da colecção do MUHNAC provém da Irlanda e foi adquirido em Londres por ocasião do Congresso Internacional de Geologia de 1888 por intermédio de Paul Choffat, um dos pais fundadores da moderna geologia portuguesa.

 

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