Observatório Astronómico da Ajuda

O Real Observatório Astronómico da Ajuda, foi mandado edificar pelo Rei D. Pedro V. Para a construção foi criada uma Comissão presidida por José Feliciano da Silva Costa (1797-1866) e impulsionada essencialmente por Filipe Folque (1800-1874) que encarregou, mais tarde, Frederico Augusto Oom (1830-1890) do acompanhamento da obra. Os primeiros esboços e o projeto de execução são da autoria do arquiteto francês Jean Colson que, mediante indicações da Comissão, terá tido como base de trabalho os desenhos do Observatório de Pulkova na Rússia. A construção decorreu entre 1861 e 1878.
A importância científica e histórica do Observatório, em conjunto com a sua coleção, biblioteca e arquivo históricos, não tem par no país. Trata-se de património científico in situ, de excecional qualidade.
A coleção compreende c. 200 instrumentos de observação astronómica, entre os quais telescópios, globos, relógios, dispositivos cronográficos e aparelhos afins. A maioria foi adquirida entre 1860 e 1870. Os instrumentos destinavam-se essencialmente a trabalhos de astronomia posicional, relacionados com a determinação de coordenadas de objetos celestes e com a determinação da hora. Os instrumentos de observação principais (fixos) encontram-se nas suas localizações originais. A coleção representa uma excelente amostragem dos instrumentos mais avançados e precisos que eram empregues na astronomia de posição de meados do séc. XIX.
O facto de vários destes instrumentos se encontrarem nas suas instalações originais, e em bom estado de conservação, confere-lhes uma relevância de nível internacional enquanto património representativo da astronomia de precisão desse período. Acresce ainda que a maioria desses instrumentos sofreu beneficiações empreendidas pelos astrónomos do Observatório, e foram empregues, com reconhecido êxito, em programas astronómicos internacionais, pelo que são também representativos de importantes contribuições científicas portuguesas, nomeadamente na determinação de posições de estrelas e no cálculo da distância média Terra-Sol. Neste aspeto, revestem-se de especial relevância os instrumentos de passagens e o círculo meridiano, com destaque para este último. De referir que a participação do Observatório, com este instrumento, na campanha da paralaxe solar de 1900-1901, centrada em observações do asteroide Eros, valeu ao Diretor de então, César Augusto de Campos Rodrigues (1836- -1919), a atribuição do Prémio Valz pela Academia das Ciências de Paris, em 1904. A coleção é ainda muito relevante para a divulgação da astronomia junto do grande público. A coleção encontra-se inventariada e acessível. O Observatório Astronómico da Ajuda e os seus acervos históricos integram o MUHNAC desde 2012.