Brotar - Entre a Terra e o Céu

Exposição de João Gama

Quando: 
8 de January de 2021 to 2 de May de 2021
Onde: 

Sala Azul

O Pintor de Paisagens

 

Na exposição Brotar - Entre o Céu e a Terra do artista plástico João Gama, são apresentadas pinturas, desenhos e esculturas onde se privilegia a ligação intensa do artista com a Natureza. Estes trabalhos não resultam apenas dos meios e materiais utilizados, mas são um fator determinante na procura da sua própria interioridade.  Ou seja, estas obras brotam dentro da natureza, o artista permite que a natureza nele se produza e reproduza, o que resulta numa dimensão ritualística na criação destes trabalhos artísticos.

Nesta exposição a interseção da natureza pictórica e escultórica cruza-se com a formação académica do artista, escultor-pintor. João Gama procura tirar partido da paisagem onde vive, apropriando-se do cenário para a sua criação artística e recriando-a. A intencionalidade destas obras “requer que o artista não copie a realidade nem reproduza o natural, embora nas suas obras deva haver alguma substantividade e deve preservar algo de real”. (Ortega y Gasset, in: A Desumanização da Arte). Não se pretende representa um olhar empírico destes lugares naturais, mas sim a sua humanização pictórica.

Nestes trabalhos é idealizada uma relação do corpo com a Natureza, com as árvores, com as flores, com as rochas, citando João Gama, “as estações, o renascer da vida vegetal e a solidez das rochas, são alguns dos muitos símbolos que formam metáforas em poemas visuais que muito falam do âmago humano. A Natureza revela-se enquanto origem da vida humana e da própria arte e sua linguagem”. A emoção na experiência estética é um meio para distinguir as propriedades que uma obra possui e exprime. O desenho, assim como a pintura é uma estética que recorre a várias técnicas por isso é dinâmica.

O artista constrói diários gráficos onde desenha todos os dias. Esta prática desenvolve no João Gama uma relação estreita com o apuramento e descoberta para novas soluções plásticas. Uma das questões fundamentais é a conciliação muitas vezes difícil, entre a pesquisa do artista, o seu trabalho constante e sistemático e a sua concretização. Aqui o João Gama deixa-se cativar pela Natureza, usufruindo desse estado para transpor as suas emoções. A natureza é estética porque nos proporciona estados de prazer espirituais.  O artista apropria-se da Natureza para criar as suas obras.

No Museu Nacional de História Natural e da Ciência, as exposições não se destinam a um só público, fazem o cruzamento entre a ciência e a arte, registando-se uma sensibilidade dupla, do mundo interior e exterior. “Admitida a nova epistemologia, a concepção anti-intelectualista, que opõe a arte à ciência, torna-se insustentável. Dicotomias vagas e obscuras, mas profundamente enraizadas, são superadas: não mais de um lado a beleza, a intuição e a emoção, e do outro, a verdade, a racionalidade e o saber. Porque nenhuma destas propriedades é privilégio da arte nem da ciência e todas são insuficientes para distinguir uma da outra.” (Carmo d´Orey, in prefácio de Nelson Goodman, Modos de fazer mundos). A arte como expressão da liberdade e da vida.

Esta exposição que privilegia o figurativo paisagístico vai em sentido oposto ao que escreveu o filosofo Yves Michaud, que descreve a nossa época como um “estado gasoso” e citando Tolentino de Mendonça, “este, defende ele, é o tempo das percepções evaporadas, das atmosferas cada vez mais sem contornos, dos estilismos difusos e globais.” (José Tolentino Mendonça, In: Bem-vindos ao nosso estado gasoso.  Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura). Na exposição Brotar encontramo-nos com o naturalismo estético e fazemos as pazes com o figurativo.

“A natureza recriada à nossa imagem e semelhança: nós dentro dela e ela polarizadora dos nossos sentimentos estéticos” (Albero Carneiro, in: Notas para Um Manifesto de Arte Ecológica).

Sofia Marçal

 

Nota biográfica:

João Gama, nascido a 8 de agosto de 1991, é natural de Castelo Branco. Desde cedo revelou interesse pelas artes visuais, expandindo mais tarde as suas aptidões para a música.

Em 2014 licenciou-se em Escultura na FBAUL. Atualmente, concluiu o mestrado em Pintura na mesma faculdade.

A temática da paisagem natural portuguesa é a mais presente na definição da sua obra e apela, não só à contemplação da natureza, mas também à sua valorização e conservação. No decorrer do percurso artístico, participou em várias exposições coletivas, algumas das quais: “O Mar e os Motivos Marítimos” no Museu da Marinha Portuguesa em Belém (2012), “20 x 20” na Galeria Travessa em Lisboa (2012), Exposição de Finalistas de Escultura no ISEG em Lisboa (2013), “Résvés” (residência artística e exposição) em Proneça-a-Nova (2014), “Sementeira” em Viseu (2014), “De onde para onde” no ISEG em Lisboa (2015). Participo numa residência artística na Maljoga de Proença onde realizou uma pintura mural da qual é autor (2017). Exposição individual de pintura “Da Terra ao Azul” na Sala da Nora, Castelo Branco (2018). Exposição coletiva “Naturezas cruzadas” na Casa Bocage, em Setúbal (2020).

 

Inauguração: 7 de janeiro, 17h00

 

 

 

Exposição de Arte e Ciência