Seabranano e Seabrina

Exposição da artista Constança Meira

Quando: 
22 de April de 2022 to 29 de May de 2022
Onde: 

Laboratório de Química Analítica | Museu Nacional de História Natural e da Ciência

Uma instalação constituída por diversos conjuntos de objetos e que se apresenta como uma reflexão íntima sobre a memória familiar, própria: uma linhagem onde pontuam figuras femininas e que se extinguirá a breve trecho, restando apenas a sua memória. São objetos familiares (papéis, cartas, fotografias, luvas, ninhos, desenhos, lupas, minerais, caixas, etc.) recolhidos, recompostos e reconstruídos (com ninhos, ossos de pequenos animais, etc.), dispostos em caixas, cofres, molduras, pequenos plintos, ou protegidos em redomas de vidro transparente.

Curadora: Sofia Marçal

 

Inauguração da exposição: 21 abril, 17h00 às 20h00

CONVITE

 

 

Homenagem ao fim da linhagem

por Sofia Marçal

 

A exposição Seabranano e Seabrina[1] de Constança Meira foi idealizada para ser apresentada no Laboratório de Química Analítica do museu Nacional de História Natural e da Ciência com o propósito da artista revelar o seu lado mais intimista e com a intenção de homenagear o seu bisavô Antero de Seabra,  ilustre naturalista e entomologista. É uma exposição poética, constituída por trabalhos artísticos que nos remetem para as nossas vivencias oníricas.

A exposição constrói-se e materializa-se em conjuntos de objectos apresentados como se fossem relíquias, em baús, cofres ou em caixas simbolizando gavetas, contentores de memórias recheados de fragmentos desse passado tornado presente. O laboratório ficou repleto de excertos de vidas. “Uma gaveta vazia é inimaginável. Pode apenas ser pensada. E para nós que temos que descrever o que se imagina antes mesmo daquilo que se conhece, o que se sonha antes daquilo que se verifica, todos os armários estão cheios.”[2] Outros trabalhos, vestígios cartas, fotografias, luvas, ninhos, desenhos, lupas, minerais, estão contidos em redomas de vidro. Realçamos os desenhos de ilustração científica dos insectos realizados por Maria Augusta Santos Viegas de Seabra para o seu pai Antero de Seabra. (Ler mais)




[1] Como nos explica Constança Meira, “Seabranano e Seabrina, géneros de insectos hemípteros da fauna portuguesa, cunhados em homenagem ao meu bisavô materno. Antero de Seabra (1874-1952), insigne naturalista e entomologista português, pioneiro da entomologia médica, foi preparador-auxiliar desde que regressou dos seus estudos em Paris até 1904. Depois conservador da Secção Zoológica, e naturalista entre 1918 e 1921 do Museu e Laboratório Zoológico de Lisboa, instituição que antecedeu o Museu Bocage da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e, assim, o actual MUHNAC.”

[2] Gaston Bachelard in: Poética do Espaço, p.197.

 

Exposição de Arte e Ciência