Armeria arcuata

Objeto do mês de maio de 2021

E se não existissem herbários nem jardins botânicos? Uma das consequências seria haver quase um completo desconhecimento sobre plantas consideradas extintas na natureza.

Esta é a história da Armeria arcuata, uma planta endémica da costa alentejana, colhida e descrita há mais de um século por F. Welwitsch e que desde então não voltou a ser herborizada.

Trata-se de uma planta de pequeno porte, até 1 dm, com folhas lineares, rígidas e recurvado-enroladas, e haste floralcurta, arqueada. As flores estão reunidas num recetáculo comum, envolvido por brácteas acastanhadas e terminadas numa ponta rígida. Apresenta brácteas interflorais. Nas flores, o cálice é afunilado, com limbo seco e translúcido, provido de cinco dentes e com um pequeno esporão. A corola é composta por 5 pétalas rosadas, aderentes na base. O fruto só tem uma semente e está incluído no cálice.

Dos três espécimes conhecidos, dois fazem parte da coleção do Herbário do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (LISU) e um terceiro pertence ao Herbário de Genève (Conservatoire et Jardin botaniques de la Ville de Genève, Suiça). A planta foi considerada extinta porque todas as tentativas realizadas para a encontrar foram infrutíferas. A recém-publicada Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental também a dá como extinta.

Porém, um estudo recente publicado na revista Nature Plants, revela a redescoberta de 17 espécies de plantas antes consideradas extintas. Através de uma extensa revisão taxonómica, algumas das espécies foram reencontradas na natureza e outras preservadas em jardins botânicos e bancos de sementes. Armeria arcuata faz parte deste lote e parece ter sido inconscientemente preservada no Jardim Botânico da Universidade de Utrecht, na Holanda. A planta está a ser submetida a estudos genéticos para confirmar a sua identidade.

Exemplar tipo da Coleção de Portugal, Armeria arcuata
Welw. ex Boiss. & Reuter, Herbário LISU, ULisboa-MUHNACLISU28939P.
© ULisboa/MUHNAC. Digitalização.

 

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