Câmara Municipal de Lisboa distingue Galopim de Carvalho com Medalha de Mérito Científico

Laboratório Chimico do MUHNAC encheu-se para acolher a cerimónia de entrega da Medalha Municipal de Mérito Científico a Galopim de Carvalho,  pelas mãos de Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Imagem da sala antes do início da sessão

Laboratório Chimico do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, da Universidade de Lisboa (MUHNAC) encheu-se para acolher a cerimónia de entrega da Medalha Municipal de Mérito Científico a Galopim de Carvalho, Professor Catedrático Jubilado da Universidade de Lisboa, pelas mãos de Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML).

Aos 85 anos, o Professor Galopim de Carvalho é homenageado pela CML com a Medalha Municipal, a qual se destina «a distinguir as pessoas singulares ou coletivas, nacionais ou estrangeiras, de cujos atos advenham assinaláveis benefícios para a Cidade de Lisboa, melhoria das condições de vida da sua população, desenvolvimento ou difusão da sua arte, divulgação ou aprofundamento da sua história, ou outros de notável importância que justifiquem este reconhecimento», indica o regulamento da Medalha Municipal.

Na abertura da sessão, José Pedro Sousa Dias, Diretor do MUHNAC, lembrou o papel fundamental que o Professor Galopim de Carvalho teve enquanto Diretor nos dois Museus que antecederam ao atual MUHNAC – o Museu Mineralógico e Geológico (entre 1983 e 1992) e o Museu Nacional de História Natural (entre 1992 e 2003) – destacando que este cumpriu dois papéis essenciais: o da preservação das coleções e o da divulgação científica junto do público.

«O papel do Professor Galopim aqui no Museu é um papel muito importante», afirmou Sousa Dias e explicou que «os Museus têm tradicionalmente duas grandes funções: uma diz respeito à preservação das coleções, no nosso caso das coleções científicas, e outra diz respeito à valorização dessas coleções» e divulgação junto do público.

«Estas duas funções estão interligadas e são de alguma forma, principalmente no mundo universitário, algo difícil», afirmou o Diretor do MUHNAC que adiantou que «a primeira função, a preservação das coleções está mais ligada à vida da investigação científica que é tradicional das universidades e, portanto, com frequência muitos dos museus universitários valorizam-na em primeiro lugar e no limite, em alguns casos, o público é olhado com incómodo por poder perturbar o trabalho da investigação e da preservação das coleções».

No entanto, disse o Diretor do MUHNAC, quando foi Diretor desta instituição o Professor Galopim teve um papel fundamental de ligação com o público, principalmente no rescaldo do incêndio em 1978 que destruiu grande parte das coleções de zoologia e de geologia.

«Este contributo do Professor Galopim foi fundamental. Eu sei que esta via entre a investigação e a viragem para o público é uma via complicada, é algo que a todo o momento exige alguma expressão e alguma interpretação aqui do Museu. Eu sei que provavelmente alguns dos presentes acham que atualmente nos estamos a encaminhar demasiado para o público e a esquecer a outra dimensão, mas eu estou seguro que o caminho iniciado pelo Professor Galopim de Carvalho é o único capaz de no futuro garantir sustentabilidade do Museu enquanto instituição e de alguma forma permitir, no futuro, recuperar alguma da função da investigação que entretanto, por razões orçamentais e outro tipo de razões, foram saindo aqui do Museu e indo para os Departamentos e Unidades de Investigação da Universidade», afirmou Sousa Dias.

Galopim de Carvalho recebe os cumprimentos de Fernando Medina e Catarina Vaz PintoApós a entrega da Medalha Municipal ao Professor Galopim de Carvalho, o Presidente da CML, Fernando Medina, relembrou que «a Medalha da Cidade destina-se em primeiro lugar a homenagear a carreira e a vida, o contributo para a nossa polis».

«Eu vejo nesta sala pessoas das mais diversas gerações que se cruzaram com o Professor em diversas circunstâncias e também eu me cruzei com ele há vários anos atrás não só na televisão como em muitas exposições abertas ao público» e por isso «sinto que também cruzei com a vida de Galopim de Carvalho», afirmou.

O Presidente da CML reconheceu ainda o papel central que o Professor Galopim de Carvalho teve na divulgação científica em Portugal, um instrumento ao nível cultural e do ensino fundamental na vida dos cidadãos.

Já Helena Roseta, Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa dirigiu-se diretamente ao Professor Galopim de Carvalho. «Tem Lisboa consigo, tem a cidade consigo, tem pessoas de várias gerações consigo, temos consigo uma grande dívida não só por aquilo que ensinou e continua a ensinar, por aquilo que escreveu e continua a escrever, pelas histórias que contou e continua a contar mas também, e era isso que eu queria aqui salientar, pelo seu testemunho cívico e democrático exemplar».

O Professor Galopim de Carvalho decidiu na ocasião falar sobre a cultura geológica e ensino na geologia. «Ocorreu-me aproveitar a oportunidade de, uma vez mais, chamar a atenção para o panorama da geologia na cultura científica dos portugueses, em geral, o do ensino desta disciplina nas nossas escolas, em particular», isto porque «no panorama das nossas escolas, e com as sempre necessárias e honrosas exceções, esta disciplina limita-se a um conjunto de matérias desarticuladas e desinseridas de um contexto unificador, tidas por desinteressantes e, até, fastidiosas», afirmou.

O Professor deixou, no entanto, algumas sugestões para a melhoria do ensino da geologia nas escolas por todo o país com programas com enfoque especial na geologia de cada região.

Para além disso, afirmou que: «é preciso e urgente olhar para esta realidade do nosso ensino. É preciso e urgente que o Ministério da Educação chame a si meia dúzia de professores desta disciplina capazes de proceder à necessária e profunda revisão de tudo o que se relacione com o ensino desta área curricular, a começar nos programas, passando pelos livros e outros manuais adotados, pela formulação dos questionários nos chamados pontos de exame sem esquecer a necessária e conveniente formação dos respetivos professores» (ver discurso do Professor Galopim de Carvalho na íntegra).

Presentes estiveram vários funcionários e colaboradores do MUHNAC, que quiseram prestar homenagem ao Professor Galopim de Carvalho, mas também alunos e antigos colegas como Fernando Barriga, da Universidade de Lisboa, que falou sobre a importância que o homenageado teve enquanto Diretor do MNHN (entre 1993 e 2003), assim como José Brilha, da Universidade do Minho, que falou sobre o papel do Professor Galopim de Carvalho na defesa do Património Geológico.

Presentes estiveram também António Feijó, Vice-reitor da Universidade de Lisboa, e as vereadoras da CML Catarina Vaz Pinto, Catarina Albergaria e Paula Marques.