Cantina da Universidade de Lisboa serve 1093 refeições com leguminosas

No Dia Mundial da Saúde foram servidas na Cantina I da Universidade de Lisboa 1093 refeições onde o destaque foi para as leguminosas no prato.

No Dia Mundial da Saúde – comemorado a 7 de abril – foram servidas na Cantina I da Universidade de Lisboa 1093 refeições onde o destaque foi para as leguminosas no prato – lentilhas e feijão.

A iniciativa foi promovida pelo Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC-UL), em coorganização com o Escritório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Portugal e junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Comité Matemática do Planeta Terra da UNESCO, no âmbito do Ano Internacional das Leguminosas (AIL), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Hélder Muteia, Representante da FAO em Portugal e junto da CPLP explica que a ONU decidiu atribuir um ano de celebração às leguminosas secas devido a «um conjunto de constatações relativamente aos problemas que os atuais sistemas alimentares têm causado e à necessidade de recuperar alguns valores e algumas práticas que são mais saudáveis do que aquelas que têm vindo a ser adotadas» e «uma delas é o consumo de leguminosas secas».

Por leguminosas secas entendem-se o feijão, as lentilhas, o grão, entre outras, as quais são fontes ricas em nutrientes com benefícios para a saúde, mas também com grandes vantagens para a segurança alimentar, agricultura, biodiversidade e combate às alterações climáticas.

Neste sentido, as leguminosas assumem um papel cada vez mais determinante nos países em desenvolvimento. O Representante da FAO explica que «nos países mais pobres, mais carenciados, as leguminosas secas têm-nos ajudado a resolver o problema de segurança alimentar, porque como são mais fáceis de conservar por serem alimentos secos, fáceis de transportar, fáceis de comercializar, ajudam-nos a garantir a segurança alimentar num período muito mais alargado».

Mas há outros benefícios decorrentes do aumento da produção de leguminosas, como os ambientais. António Monteiro, Responsável pela Gestão do Projeto AIL, no MUHNAC-UL, explica que «aumentar o consumo de leguminosas secas enquanto fonte de proteína, pode reduzir o impacto ambiental associado ao consumo de produtos alimentares, pois o seu cultivo apresenta uma pegada ecológica muito pequena comparativamente, por exemplo, com a produção de proteína animal». Para além disso, as leguminosas secas «têm muitas vantagens na agricultura, pois tornam-na mais sustentável, dado ao facto de serem capazes de fertilizar os solos naturalmente,  sem a utilização de fertilizantes sintéticos».

Por todas estas razões no dia 7 de abril os estudantes da Universidade de Lisboa tiveram uma cara especial na linha de serviço da cantina. A atriz Anabela Teixeira aceitou ser o rosto do Ano Internacional das Leguminosas em Portugal, porque confessa, esta iniciativa «é a minha cara». A atriz explica que a ação de sensibilização é «muito importante, não só para a nossa saúde, mas também porque ao fomentar o consumo de leguminosas estamos a contribuir para diminuir o consumo de carne, o que faz com que a agropecuária não tenha um impacto tão grave» no planeta.

Em relação à ação de sensibilização que decorreu na Cantina I, António Monteiro afirma que «foi um sucesso» porque «conseguimos promover um momento em que um conjunto alargado de pessoas, mais de mil, pode entrar em contacto com o AIL e discutir o AIL. Perguntar o que é, o que estava a acontecer e porquê. Acho que isso foi o mais importante, foi dar a conhecer o AIL».

Ao longo de 2016 são várias as iniciativas que vão decorrer para chamar a atenção da importância de se aumentar o consumo de leguminosas, nomeadamente, conferências científicas, a realização do ciclo de oficinas de cozinha “Leguminosas no Ponto!”, com a participação de Chakall, entre outros chefs portugueses, e a realização de um festival no MUHNAC-UL no Dia Mundial da Alimentação, a 16 de outubro.

Sobre a parceria com o MUHNAC-UL, o representante da FAO em Portugal e junto da CPLP diz que «o importante é juntarmos diferentes saberes e experiências e demonstrar que este é um problema que afeta todos, e nesse sentido, todas as entidades que estão ligadas à ciência e ao conhecimento demonstram sempre uma grande facilidade para estes valores». Assim, «é importante que um tema que foi decidido por vários setores da sociedade civil no mundo possa aqui em Portugal colher consenso da comunidade científica, das entidades que trabalham com o conhecimento, mas também de outros organismos. Isto é uma onda que começou nesta parceria mais ou menos estreita, mas a onda vai-se alastrando» a outras entidades, afirma.