Mais de 1500 pessoas participaram no Festival das Leguminosas

Feijão, grão, lentilhas e tremoço são apenas algumas das leguminosas que estiveram em exposição no Festival das Leguminosas. Uma iniciativa que no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, trouxe ao Jardim Botânico Tropical cerca de 1500 pessoas.

Festival das Leguminosas no Jardim Botânico Tropical

O convite foi feito pelo Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC-ULisboa) para que no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, as famílias participassem numa série de atividades práticas, lúdicas, científicas e culturais em torno das leguminosas por forma a melhor compreenderem a sua importância em termos nutricionais, ambientais e económicos.

Eram dez horas em ponto quando Luís Medeiros Vieira, Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, acompanhado por Hélder Muteia, representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em Portugal e junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), José Luís Sousa Dias, Diretor do MUHNAC-UL, Marta Lourenço, Vice-Diretora do MUHNAC-UL, Nuno Canada, Presidente do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), Gabriel Baguet, jornalista angolano e um dos padrinhos da Campanha “Juntos Contra a Fome da CPLP” e a atriz Anabela Teixeira, rosto do Ano Internacional das Leguminosas, percorreram o recinto do Festival das Leguminosas.

Ao todo foram quarenta as entidades que marcaram presença no Festival, cada uma com uma mensagem ou atividade dirigida ao público, tendo como característica comum a sensibilização para a importância das leguminosas.

O Festival das Leguminosas é uma das iniciativas nacionais de promoção do Ano Internacional das Leguminosas 2016, proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Neste sentido, a promoção da relevância das leguminosas junto do público em Portugal é da responsabilidade do MUHNAC-ULisboa em parceria com o Escritório da FAO em Portugal e junto da CPLP, o Comité Matemática do Planeta Terra da UNESCO (MPT-UNESCO), com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

António Monteiro, coordenador da organização do Festival das Leguminosas faz um balanço positivo da iniciativa e explica que «foi um dos pontos altos do programa nacional de atividades do Ano Internacional das Leguminosas» através da qual «conseguimos chegar a um público bastante heterogéneo e a quem muito possivelmente não teríamos chegado de outra forma».

Ao todo, o Festival recebeu cerca de 1500 participantes, o que permite a António Monteiro fazer um «balanço extremamente positivo». No entanto, o coordenador da organização reconhece que «as pessoas não estão, de um modo geral, sensibilizadas para estas grandes campanhas que são os anos Internacionais e a falta de investimento que existe na sua dinamização junto do grande público faz com que estas ações de importância global passem despercebidas».

Mas acima de tudo, «com este festival mostrámos quem são as pessoas que todos os dias trabalham para tornar Portugal um país mais saudável e mais sustentável. Colocamos estas pessoas em comunicação umas com as outras e esperamos que deste encontro resultem novas iniciativas que levem o nosso país a ser um exemplo de sustentabilidade, como os países escandinavos».

Leguminosas: benefícios e inovações

Uma dessas pessoas é Helena Real, Secretária-geral da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, que trouxe ao Festival das Leguminosas pequenos sacos, cada um com 25 gramas de leguminosas, já que esta é a dose diária recomendada a consumir.

«Apesar de ser uma quantidade muito pequena este consumo poderá traduzir-se em benefícios para a saúde, nomeadamente a questão da presença de fibra, vitaminas, minerais e proteína nesta pequena quantidade que acaba por ser acessível em termos económicos», afirma a especialista em nutrição.

Também no Festival, a transmitir os benefícios nutricionais das leguminosas esteve Daniela Afonso, nutricionista da Associação Portuguesa de Celíacos. Aqui a proposta era experimentar pão sem glúten produzido à base de farinha de grão-de-bico.

«Estamos aqui para relacionar a importância do consumo de leguminosas na dieta isenta de glúten tendo em consideração que é o único tratamento da doença celíaca» e «uma das questões muito pertinentes em relação à inserção das leguminosas na dieta isenta de glúten é que as estes alimentos têm importantes características a nível mineral, vitamínico e de conteúdo de fibra», explica Daniela Afonso.

Outra das estrelas deste Festival foi o tremoço. Ricardo Boavida Ferreira, professor do Instituto Superior de Agronomia da ULisboa e representante da start-up CEV, apresentou as potencialidades do tremoço para combater fungos e inflamações.

Uma das inovações «é um fungicida que extraímos das plantas já germinadas e tem uma atividade igual para todos os fungos, quer sejam fungos patogénicos para o Homem quer sejam patogénicos para as plantas». Para além disso, apresentam «uma atividade igual ou superior aos fungicidas químicos que existem no mercado, sendo que a grande diferença é que os fungicidas químicos são tipicamente tóxicos e este podemos ingeri-lo», explica o professor.

«Uma segunda bioatividade dos tremoços é a nível da colite, da inflamação», ou seja, apresentam «atividades anti-inflamatórias», já testadas em «laboratório, com células e animais em colaboração com a Universidade de Farmácia».

Logo à entrada da Feira esteve José Matos, do INIAV, a convidar todos os visitantes a conhecer o trabalho desenvolvido neste instituto, nomeadamente, no Banco Nacional de Germoplasma - repositório de todas as variedades de sementes portuguesas.

«Aqui o que estamos a fazer é demonstrar como através da genética podemos ajudar a fazer o melhoramento» de variedades, neste caso, de leguminosas, explica José Matos.

O Festival contou ainda com uma área de debates com diversos oradores, um espaço de food-street e claro animação cultural, nomeadamente com a participação do Grupo Folclórico e Etnográfico da Granja do Ulmeiro, do grupo de animação de rua Projeto Bug e da Banda de Música dos Empregados da Companhia Carris de Ferro de Lisboa.