Exposição sobre alterações climáticas - Expo Clima 360º no MUHNAC

Expo Clima 360º é a mais recente exposição patente no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC-UL) inaugurada a 30 de novembro e que estará patente ao público até 28 de fevereiro.

Esta é uma exposição itinerante produzida em França, mais propriamente pela Universcience - Science Actualités (Paris) e que após ter passado pelo Brasil, chega agora a Portugal através de uma parceria entre a Embaixada de França, o Instituto Francês de Portugal, o Programa Doutoral em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável, o Instituto de Ciências Sociais e o Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), ambos da Universidade de Lisboa.

A Expo Clima 360º aborda o tema das Alterações Climáticas causadas pelas emissões dos gases com efeito de estufa resultante das atividades humanas, proporcionando uma melhor compreensão do sistema climático através das últimas observações, simulações e análises de vários cientistas. A exposição alerta também para a importância da mobilidade sustentável, da economia de baixo carbono e para os impactos sociais das alterações climáticas.

A Exposição está organizada em quatro vertentes a que se acrescentou mais uma especificamente sobre Portugal, nomeadamente: (1) Aquecimento global: diagnóstico e impactos; (2) As causas do aquecimento global e a responsabilidade humana; (3) Os cenários de emissões de gases com efeito de estufa e a evolução do clima; (4) O planeta à procura de soluções para o desafio climático; (5) Dados e cenários centrados em Portugal, a partir de estudos científicos apresentados de forma inédita e apelativa.

A par com a exposição vai decorrer um Ciclo de Conferências. A primeira Conferência intitulada ‘Alterações Climáticas: por onde passa o futuro próximo?’, aconteceu a 30 de novembro, no dia da inauguração da exposição em Portugal e contou com a participação de dois cientistas franceses - Jean Robert Petit, Diretor de investigação no Laboratório de Glaciologia e Geofísica do Ambiente de Grenoble (CNRS, Universidade Joseph Fourier), que falou sobre de que forma o gelo na Antártida consegue ser reservatório de informação sobre as alterações que ocorreram no clima nos últimos milhares de anos.

O glaciologista participou nas perfurações de Vostok, na Antártida, e contribuiu para a produção do primeiro registo climático referente aos últimos 400 mil anos. Produzir este registo climático foi possível graças às amostras de gelo retiradas em profundidade sobre a forma de cilindros. Ao longo do tempo as camadas de gelo foram guardando bolhas de ar onde ficaram conservados gases, como por exemplo, o dióxido de carbono, que permitem hoje aos cientistas analisar e relacionar com as temperaturas de cada época e desta forma compreender as alterações que foram ocorrendo no clima.

O outro orador francês, Franck Courchamp, Diretor de investigação do CNRS, Universidade de Paris-Sud-Orsay, trouxe a Portugal o tema das “Alterações Climáticas e invasões de insetos”, onde apresentou o projeto INVACOST, desenvolvido no âmbito da “Climate Initiative”, da Fundação BNP Paribas. Este projeto dedica-se ao estudo dos custos económicos no mundo decorrentes da invasão de insetos.

O cientista revelou que, por exemplo, nos países mais quentes as espécies de insetos invasoras provocaram uma redução de 40% na produção de alimentos, os quais poderiam alimentar mais de mil milhões de pessoas.

Mas não são apenas as colheitas as afetadas. Estes insetos estão também na origem de doenças, antes restritas a certas áreas quentes do globo e que agora começam a surgir nas zonas mais temperadas sem qualquer controlo devido às alterações climáticas, como é exemplo, o vírus Zica transportado pelo mosquito Aedes aegypti. Franck Courchamp referiu mesmo que ao longo da história da humanidade, os insetos já provocaram mais mortes do que todas as balas e canhões nas grandes guerras e que os insetos invasores custam mais de 6,4 mil milhões de euros por ano ao setor da saúde em todo o mundo.

No âmbito do projeto INVACOST, e de acordo com um artigo publicado online a 4 de outubro de 2016 na revista científica Nature Communication, contabiliza-se que estes insetos são responsáveis no mínimo por perdas anuais globais no valor de 65,5 mil milhões de euros por ano e de acordo com as estimativas dos cientistas, em resposta às alterações climáticas, este impacto poderá aumentar em 18% em 2050.

Presentes na conferência estiveram também Filipe Duarte Santos, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que apresentou o tema “Quais as consequências de não cumprir o Acordo de Paris” e Júlia Seixas, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa que falou sobre “Balanço zero de emissões: a tecnologia salvar-nos-á?”.

A Expo Clima 360º é uma forma de colocar na agenda pública as questões relacionadas com as alterações climáticas, mas também as soluções no âmbito do atual Acordo de Paris e dos resultados alcançados na COP22 em Marraquexe.

Uma ideia reforçada por João Pedro Matos Fernandes, Ministro do Ambiente, por Jean-Michel Casa, Embaixador de França e Luís Ferreira, Vice-reitor da Universidade de Lisboa, presentes na cerimónia de inauguração da Expo Clima 360º no MUHNAC-ULisboa.