Colaboradores do MUHNAC apresentam segundo Atlas dos anfíbios e répteis de Angola

Colaboradora e curador do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC-ULisboa) são co-autores do “Atlas dos anfíbios e répteis de Angola”, agora publicado na revista científica Proceedings of the California Academy of Sciences.

Mariana Marques, colaboradora do MUHNAC-ULisboa

 “Diversity and Distribution of the Amphibians and Terrestrial Reptiles of Angola” é o nome do mais recente Atlas de anfíbios e répteis de Angola que tem como co-autores Mariana Marques e Luís Ceríaco, colaboradora e curador das coleções de anfíbios e répteis do MUHNAC-ULisboa, respetivamente. Esta nova publicação lista agora 117 espécies de anfíbios e 278 de répteis, uma quantidade bastante superior àquela conhecida no final do século XIX quando, em 1895, foi publicado o primeiro Atlas dos Anfíbios e Répteis de Angola, intitulado Herpétologie d’Angola et du Congo, da autoria de José Vicente Barbosa du Bocage, Diretor da seção zoológica do Museu Nacional de Lisboa.

À data, José Vicente Barbosa du Bocage listava informação sobre 32 espécies de anfíbios e 154 espécies de répteis. Agora, no novo Atlas, os investigadores apresentam, mapeiam e descrevem quase quatro centenas destes animais que atualmente se conhecem no país. «Para além do mapeamento da distribuição em Angola de todas estas espécies de anfíbios e répteis, são também apresentados dados sobre distribuição global, o estatuto de conservação, a história nomenclatural e taxonómica e a compilação de toda a bibliografia relevante para cada espécie, bem como um extenso conjunto de textos sobre a geografia, o clima, os habitats, a história da investigação científica, os padrões biogeográficos e os problemas de conservação em Angola», indicam os autores em comunicado.

Este foi um trabalho que teve início com o desenvolvimento da tese de mestrado de Mariana Marques que procurou compilar milhares de dados bibliográficos presentes em quase mil obras científicas, datadas entre 1840 e 2017.

A colaboradora do Departamento de Zoologia do MUHNAC-ULisboa, atualmente a desenvolver o doutoramento no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO-UP), explica que «ter toda a informação sobre estes animais disponível num único sítio facilita imenso o trabalho de investigação, pois permite-nos muito facilmente contextualizar a relevância das novas descobertas e levantamentos que fazemos no campo».

Por outro lado, o fato dos investigadores possuírem toda esta informação permite também perceber as zonas de Angola sobre as quais existe menos informação. «Após analisarmos os dados no seu conjunto, podemos identificar várias áreas do país para as quais não temos um único dado. Estas são das áreas prioritárias para futuros levantamentos, pois não só nos ajudam a completar a “big picture”, como é nelas que potencialmente podemos descobrir espécies até então desconhecidas para o país e para a ciência», explica a autora.

E algumas dessas espécies foram descobertas recentemente, como é o caso do sapo sem ouvidos, em 2018, e o lagarto espinhoso em 2016, ambos na província do Namibe, e que até à data eram desconhecidos para a ciência. As quase 400 espécies de anfíbios e répteis descritas apresentam uma espetacular diversidade de formas, tamanhos, cores e estilos de vida. «Entre elas encontram-se uma plêiade de coloridas relas, rãs, sapos, três espécies de crocodilos, tartarugas marinhas e terrestres, cágados, lagartos, camaleões, osgas, e serpentes, algumas delas altamente venenosas. Muitos destes ocorrem única e exclusivamente em Angola», explicam os investigadores e acrescentam que «esta diversidade deve-se em grande parte à situação geográfica de Angola e à grande diversidade de biomas – das florestas tropicais de Cabinda, ao deserto do Namibe, passando pelas zonas montanhosas de escarpa, o país possui um gradiente perfeito entre as faunas centro Africanas e aquelas de zonas mais austrais».

Luís Ceríaco sabe que esta obra está inacabada e que há ainda muitas lacunas no conhecimento. «Tal como atualizámos a obra de Bocage, esperamos que a nossa seja atualizada. Quanto mais depressa melhor, pois isso significará que a herpetologia Angolana se está a desenvolver». A obra encontra-se disponível em versão impressa, mas está também disponível de forma gratuita em versão digital. Apesar de agora publicada, a apresentação oficial desta obra cujo desenvolvimento contou com o apoio do Ministério do Ambiente de Angola, está agendada para este mês de outubro em Luanda.

 

Citação | Marques, M.P., Ceríaco, L.M.P., Blackburn, D.C., & Bauer, A.M. (2018) Diversity and Distribution of the Amphibians and Terrestrial Reptiles of Angola. Atlas of Historical and Bibliographic Records (1840–2017). Proceedings of the California Academy of Sciences, Series 4, 65: 1–501.