Colecionismo é o tema da XXXII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis

MUHNAC-ULisboa organiza a XXXII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis, dinamizando vários espaços: Feira, Conferências, Laboratórios e Exposições em torno da mineralogia e do colecionismo responsável.

© Fernando Barriga

A Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis – que é já uma marca histórica, cultural e científica da cidade de Lisboa, sob a organização do MUHNAC-ULisboa – vai decorrer, entre os dias 6 e 9 de dezembro, no antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres, do Museu.
 
A Feira é «uma amostra incrivelmente atraente da variedade de cores, formas e brilhos que caracterizam os minerais, as gemas e os fósseis» onde estes estão «disponíveis para aquisição, para todas as bolsas», explica Fernando Barriga, Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e membro da organização do evento.
 
Em relação ao tema este ano escolhido – o Colecionismo – justifica-se porque o «MUHNAC acarinha o colecionismo responsável, sempre que necessário com as devidas autorizações, e sempre sem depredação dos afloramentos», como tal é «necessário compreender e apoiar o colecionismo saudável e correto, que preserva numerosas peças que, extraídas em minas e em pedreiras, de outra forma seriam destruídas».
 
Neste sentido, as Conferências que decorrem no âmbito da Feira vão centrar-se, em parte, no tema do colecionismo responsável. Fernando Barriga explica que «a esmagadora maioria dos minerais deteriora-se rapidamente sob ação dos fenómenos climáticos», pelo que «o lugar dos melhores exemplares é em museus, onde possam ser fruídos por todos». Mas há que destacar que «os colecionadores privados têm também um importante papel na preservação e divulgação» e «são responsáveis pela descoberta de numerosos minerais raros, contribuindo assim para o avanço da Mineralogia».
 
Mas, afinal, o que é o colecionismo responsável? Por exemplo «em locais onde abundem bons exemplares, nomeadamente em explorações minerais ativas, nada obsta a que se realizem colheitas, em visitas devidamente preparadas e autorizadas. Existem alguns locais, nomeadamente minas subterrâneas inativas colonizados por comunidades animais, por exemplo morcegos, e nestes casos impõem-se o estudo as condições necessárias à preservação do habitat, possivelmente com limitação (ou até exclusão) de visitas e colheitas». Noutros casos, «a raridade (e natureza) de certos afloramentos justifica a sua musealização, muitas vezes em geoparques, com exclusão de colheitas, como é o caso da Pedra Parideira, incluída no Geoparque de Arouca», afirma Fernando Barriga.
 
Mas para além da vertente científica, este evento, com realização desde 1988, é já uma grande festa do Museu e uma marca na vida cultural da cidade, reunindo colecionadores e comerciantes de minerais, gemas e fósseis, oriundos de vários países da Europa, bem como um vasto público, representado por muitos milhares de visitantes, que tem aqui uma oportunidade ímpar de adquirir ou simplesmente deleitar-se com a observação de exemplares únicos.