Relatório de 2019

PRINCIPAIS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS EM 2019 PELOS MUSEUS E IICT

Relatório sumário das atividades dos Museus da Universidade de Lisboa / Museu Nacional de História Naturak e da Ciência e do Instituto de Investigação Científica Tropical em 2019

Públicos e Programação

Os Museus da Universidade de Lisboa/ Museu Nacional de História Natural e da Ciência e o Instituto de Investigação Científica Tropical, adiante designado por Museu e Jardins, receberam em 2019 um total de 250.548 visitantes, distribuídos entre o Jardim Botânico de Lisboa (63,79%), o Jardim Botânico Tropical (0,49%), as exposições e atividades culturais e científicas destinadas ao grande público (28,27%) e as atividades destinadas a públicos escolares entre os 4 e os 18 anos (7,43%).

A diminuição de 21,78% no número total de visitantes – c. 70 mil – em relação a 2018 deve-se sobretudo ao encerramento do Jardim Botânico Tropical, em janeiro de 2019, para obras de requalificação.

 

Destacam-se, no entanto, os seguintes crescimentos de 2018 para 2019: i) de 7% do público escolar (passam de 17.391 para 18.613 participantes) e ii) de 42 % do número total de públicos abrangidos pelas exposições e atividades culturais (passam de 49.877 para 70.833), confirmando a tendência de crescimento verificada no ano de 2018 e duplicando o número equivalente em 2017.

 

Este crescimento é consequência do aumento e diversificação do número de atividades, bem como da inauguração de novas exposições.

Em 2019, o Museu e Jardins desenvolveram um programa forte de promoção da cultura científica, em organização própria e em parceria, com um total de cerca de 320 eventos, aproximadamente o dobro dos eventos de 2018 (168). Este programa incluiu atividades educativas, sessões de planetário, visitas às coleções, dinamização de exposições, teatro infantil, conferências, cafés de ciência e seminários, lançamento de livros, cursos, visitas temáticas, circo matemático, ações de formação para professores e profissionais de museus e concertos, entre outras.

Pelo seu grande impacto público, destacam-se: a Noite Europeia dos Investigadores (27 set), com 4.750 visitantes numa só noite; a VI Feira da Matemática (25 e 26 out), com 2.433 participantes, aumento significativo comparando com 1.735 participantes em 2018; e a XXXIII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis (5 a 8 dez) com 4.358 visitantes, número também superior aos 3.861 visitantes contabilizados no ano anterior.

Destacam-se ainda, neste programa, o ciclo de conferências ‘60 minutos de ciência’, com 10 palestras em 2019 e 147 participantes, o desenvolvimento de 20 Roteiros do Conhecimento, em estreita parceria com entidades de Norte a Sul do país, as comemorações do Dia Internacional das Florestas, do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, do Dia Internacional dos Museus, da Festa no Museu, das Jornadas Europeias do Património e do Dia Nacional da Cultura Científica

No que diz respeito a exposições, em 2019 inauguraram as seguintes, em produção própria e parceria: Entre Dinossáurios (17 jan), Titicaca - no Coração dos Andes (16 mar), World Press Photo - O Melhor do Fotojornalismo em Lisboa (27 abr), E3 - Einstein, Eddington, Eclipse - 100 Anos Depois (17 mai), Exposição dos Alunos da 6ª Edição do Curso de Desenho de Natureza (26 set) e O Mar Vivo: Ensaio Fotográfico de Hussain Aga Khan (27 set). Além destas, foram inauguradas 29 exposições e instalações de curta duração no quadro do programa arte-natureza-ciência (PANC). Também foi em 2019 que o Observatório Astronómico da Ajuda abriu regularmente ao público às quartas-feiras à tarde.

O Museu e Jardins participaram em eventos vários promovidos pelos Serviços Centrais da ULisboa, nomeadamente nas edições de 2019 da Descobre a ULisboa, I Feira do Livro da ULISBOA e Futurália, assim como nas comemorações da Semana Académica da ULISBOA. Foi ainda parceiro do FATAL (abr. 2019) e nas atividades do programa comemorativo do Dia da Alimentação e Cozinha Saudáveis 2019 (8 nov.), juntamente com o Estádio Universitário e os Serviços de Ação Social.

 

Coleções e Património

O ano de 2019 ficou marcado pela conclusão da transferência das coleções do antigo Centro de Zoologia do IICT, sito na Rua da Junqueira nº14, para as instalações do Museu. Este é o quarto edifício do IICT esvaziado pela Universidade de Lisboa desde 2015. Mais de 120.000 objetos de diferentes tipologias, 140 metros lineares de arquivo e 220 metros lineares de biblioteca, coligidos ao longo de 70 anos de atividade e dispersos por 55 divisões que totalizavam 1139 m2 de área foram transferidos entre 1 de julho e 15 de outubro. Tratando-se de objetos museológicos, a sua deslocação foi um processo moroso e altamente especializado, envolvendo higienização detalhada, acondicionamento em embalagens próprias (muitas vezes concebidas de raiz), transporte cuidado e registo minucioso no local de partida e de chegada. No Museu, foi dado início ao seu processo de catalogação, reacondionamento e incorporação nas reservas, o que implicou muitas vezes uma fase de desinfestação por anóxia.

Transferência das coleções de Répteis e Anfíbios em meio líquido (esq.) e Mamíferos (dir.) do IICT-Centro de Zoologia e seu reacondicionamento nas instalações do Museu.

Tombo (registo de incorporação) para transferência de fotografias do IICT-Centro de Zoologia.

Trabalhos para a transferência da Biblioteca e Arquivo do IICT-Centro de Zoologia.

No ano de 2019, foi dada continuidade ao plano de digitalização e georeferenciação das coleções. Assim, foram digitalizados 10.921 objetos e georeferenciados 7.839. Esta atividade, no que se refere às coleções de botânica e zoologia, foi apoiada pela infraestrutura PORBIOTA, através do financiamento de 7 bolseiros de investigação.

Apesar da movimentação de dezenas de milhar de objetos, alguns ainda em localização provisória, foi sempre assegurada a acessibilidade das coleções para efeitos de investigação, de formação avançada e de divulgação científica.

Em 2019, as coleções do Museu e IICT tiveram presença em 12 exposições desenvolvidas por instituições congéneres nacionais, com o empréstimos de 130 objetos, nomeadamente: ‘Cem Anos de Carvão Minas da Batalha 1854-1954’, Museu da Batalha; ‘800 Anos de Saúde em Portugal’, Museu da Saúde; ‘Uma História de Assombro. Portugal – Japão, séculos XVI a XX, Palácio da Ajuda; ‘Contar Áfricas!’, Padrão dos Descobrimentos - EGEAC; ‘Gago Coutinho, viajante e explorador’, Museu da Marinha; ‘Cérebro’, Fundação Calouste Gulbenkian; ‘Como eu fui Presidente, João do Canto e Castro’, Museu da Presidência da República; ‘Plantas de Macau e do Oriente: Exposição de Ilustração Científica’, Fundação do Oriente; ‘Um século e tanto: 130 anos da National Geographic’, Museu de História Natural e de Ciência da Universidade do Porto; ‘Jornadas do Património da Universidade de Lisboa’, Faculdade de Belas Artes; ‘Centro de Interpretação do Concelho da Ribeira Grande, Santo Antão, Cabo Verde’, APDM-Mértola; ‘Imagens Nómadas – Fotografia e Viagem 1860-1940’, Museu da Fotografia da Madeira.

Em 2019, as coleções foram estudadas por 152 investigadores nacionais e estrangeiros, quer através de consulta presencial (num total de 2.148 horas), consulta virtual ou de empréstimos. As coleções foram ainda procuradas para o desenvolvimento de 12 projetos artísticos, nomeadamente artes plásticas e cinema.

Distribuição dos investigadores por país de origem e modalidade de acesso.

A importância das coleções, no contexto de investigação nacional e internacional, é também evidenciada pelo elevado número anual de publicações e dissertações académicas. Foram, em 2019, 83 artigos científicos, 25 livros, 7 capítulos de livros, 7 teses de doutoramento e 15 de mestrado.

Requalificação do Património

No ano de 2019 foi desenvolvida e concluída a primeira fase de requalificação do Jardim Botânico Tropical (Programa de Recuperação e Beneficiação do JBT). É de destacar a instalação de infraestruturas básicas referentes a fornecimento de energia elétrica, abastecimento e reciclagem de água para rega e outros fins, e comunicação de dados e voz. Também foram recuperados todas as vias de circulação e a grande maioria dos elementos de água: Lago Principal, Lago das Serpentes, Tanque dos Leões, riachos do Jardim Oriental e canais de circulação de água. Foi ainda renovada parte da área “verde”, higienizada toda a estatuária existente no local, instalada nova sinalética e foi aberto ao público o Jardim dos Catos, um espaço patrimonial, material e imaterial, de notável valor.

Também em 2019 foi dada continuidade ao plano de reorganização e requalificação das reservas das coleções. Foram concluídas as obras de requalificação do edifício dos Herbários e efetuadas pequenas intervenções nas reservas de mamíferos e de paleontologia. Foi adquirida nova estanteria para as reservas de várias coleções, nomeadamente Herbários, coleção de Mamíferos, coleções de História da Ciência e Arquivo Histórico. Estas intervenções de requalificação e aquisição de equipamento foram parcialmente financiadas pela infraestrutura PRISC.

Jardim Botânico Tropical após obras de requalificação

      

Sala do edifício dos Herbários (esq.) após obras de requalificação e antigo edifício da Micologia (dir.), durante a requalificação para Laboratório de Conservação de Coleções Científicas.

Em 2019, foram também iniciados os trabalhos de adaptação do antigo edifício da Micologia a Laboratório de Conservação de Coleções Científicas (com apoio parcial da infraestrutura PRISC) e adaptação das antigas instalações do Observatório Infante D. Luiz a área de gabinetes.

Também através do financiamento para a infraestrutura PRISC, deu-se continuidade ao reequipamento dos laboratórios, nomeadamente do Laboratório de Conservação de Coleções Científicas e do Laboratório de Taxidermia.

Freeze-dryer adquirido para o Laboratório de Taxidermia

Ao nível de áreas públicas, é de destacar as obras de infraestruturação para exposições da Sala Bocage e da Sala da Baleia, nomeadamente instalação de pavimento técnico sobre-elevado com cobertura vinílica de alta resistência, sistema de iluminação com controle computorizado, calhas de caminhos de cabos, rampas para acessibilidade, sistema de ar condicionado e renovação do ar e instalação de portas de segurança.

Imagens das intervenções de infraestruturação da Sala Bocage

Formação Avançada

O Museu ofereceu em 2019 uma ampla variedade de cursos destinados a complementar a formação de profissionais de museus, estudantes de diversas áreas e demais interessados na preservação e acessibilidade de coleções e património, trabalho com públicos e educação não formal em museus. Foram 12 ações de formação promovidas pelo MUHNAC, algumas desenvolvidas no âmbito de projetos I&D (nomeadamente Big Picnic-Big Questions, Learn to Engage, EDUMAR e COBIONET), que atingiram 176 alunos.

Algumas das ações de formação decorreram de solicitações externas, no âmbito da atividade do Museu de apoio à valorização e conservação do património científico nacional e dos PALOPs, nomeadamente Escola Secundária e Básica Passos Manuel, Colégio Sagrado Coração de Maria, Escola Básica e Secundária Josefa de Óbidos, Museu de História Natural do Funchal, Museu de História Natural de Maputo, Reserva da Biosfera do Príncipe e Universidade Eduardo Mondlane.

Foi também oferecido o curso creditado para professores ‘Educar sobre Ciência em espaços museológicos’.

O Museu foi instituição de acolhimento de alunos para o desenvolvimento estágios de licenciatura (18) e de projetos de mestrado (6) e de doutoramento (2), nomeadamente do Programa Cuidar de Coleções: estágio prático de conservação preventiva da FCT-Nova, da Licenciatura de Conservação e Restauro da Escola Superior de Tecnologia de Tomar, do Mestrado de Conservação e Restauro da FCT-NOVA, do Mestrado em História e Filosofia das Ciências da FCUL, do programa doutoral BIODIV da UPorto/ULisboa e do programa doutoral Biologia e Ecologia das Alterações Globais da UAveiro/ULisboa. Recebeu também 3 estudantes internacionais ao abrigo do programa Eramus+ e do SiPN Experiential Learning Program da FLAD. Recebeu ainda, para formação prática em contexto de trabalho e no âmbito da medida de Qualificação de Pessoas com Deficiência e Incapacidade do Instituto de Emprego e Formação Profissional, um utente do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa.

Também no âmbito da Formação Avançada, o Museu foi instituição de acolhimento de bolseiros de investigação, 12 no âmbito do programa Promoção do Saber Tropical, 1 no âmbito do programa FCT - Ano Internacional da Matemática, 7 no âmbito da infraestrutura PORBIOTA e 2 associados ao projeto NEI.

Atividades de I&D

O Museu coordenou ou participou em projetos de I&D, que visam o estudo e valorização do seu património científico e a promoção da cultura científica: com financiamento nacional da FCT, os projetos DNA_ENV METAGENOMICS, Photo Impulse, EDUMAR e COBIO-NET; com financiamento da União Europeia, os projetos Noite Europeia dos Investigadores, Big Picnic - Big Questions e Learn to Engage.

Consultoria

No que respeita ao seu papel na conservação das coleções biológicas e geológicas e do património cultural histórico-científico global, o MUHNAC prestou, em 2019, consultoria e realizou ações de formação (ver acima) em instituições públicas e privadas nacionais (nomeadamente, FCUL e FLUL, Museu de História Natural do Funchal, Fundação Casa de Bragança, Escola Secundária Passos Manuel, Escola Secundária Luís de Camões, Escola Secundária Josefa de Óbidos, Colégio Sagrado Coração de Maria, Escola Secundária Sebastião e Silva), mas também de Moçambique (Museu de História Natural de Maputo e Universidade Eduardo Mondlane) e de S. Tomé e Príncipe (Reserva da Biosfera do Príncipe), no âmbito do projeto COBIO-NET.

Recursos Humanos

Em 2019, o Museu e Jardins contaram com um total de 57 colaboradores distribuídos pelas seguintes categorias profissionais: 2 Dirigentes (um dos quais Investigador[1]), 2 Investigadores, 20 Técnicos Superiores, 20 Assistentes Técnicos e 11 Assistentes Operacionais.

                                            

Marta Lourenço, Diretora

Judite Alves, Subdiretora

21 Junho 2020

 


[1] Marta Lourenço, subdiretora desde 24 de março de 2014, foi nomeada diretora a 15 de julho de 2019.