Diretor de Museu Nacional da UFRJ procura apoio para reconstituição de acervo

Diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro reúne no MUHNAC com curadores e diretores de vários Museus portugueses, e procura apoio para a recuperação do museu brasileiro após incêndio em 2018.

Alexander Kellner, Diretor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (que em 2018 foi devastado por um violento incêndio perdendo 85% dos 20 milhões de exemplares que compunham as suas coleções) esteve de visita ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC-ULisboa), no dia 27 de outubro, no âmbito da visita oficial realizada a Portugal, com o apoio do Instituto Camões.

Após reunir com os curadores das coleções, o paleontólogo teve a oportunidade de conhecer várias exposições, coleções, espaços de trabalho como o Laboratório de Conservação e Restauro ou o Laboratório de Taxidermia.

Este encontro em Lisboa visou fomentar o diálogo sobre as várias formas de colaboração futura, com enfoque no apoio que o MUHNAC-ULisboa pode dar para a recuperação do Museu Nacional Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em várias áreas, como por exemplo, através de doação de objetos com potencial expositivo, mas também científico, apoio à conservação e restauro, taxidermia, formação, entre outros.

«Tive uma excecional oportunidade de visitar o MUHNAC-ULisboa onde conversámos sobre diferentes projetos de cooperação entre os dois Museus. A ideia principal é que possamos encontrar caminhos para recompor as coleções da nossa instituição que foi vitimada por aquela tragédia a 2 de setembro de 2018. Todos nós sofremos, e vocês já passaram por isto, então nós somos instituições irmãs e uma tenta ajudar a outra», afirmou Alexander Kellner.

«Dentro desse contexto, o que é que eu venho procurar aqui? Possibilidade de obter material original para as nossas novas coleções e para as nossas novas exposições, sobretudo, porque sem material original não vamos recompor o Museu Nacional, que é a instituição científica mais antiga do nosso país (Brasil), além de ser o seu primeiro Museu. Por isso eu conto muito com o apoio de todos vocês», apelou o paleontólogo.

Para acolher o Diretor do Museu Nacional UFRJ, o MUHNAC-ULisboa organizou um encontro com os responsáveis de vários Museus portugueses, assim como de associações como o ICOM Portugal, Associação Portuguesa de Museologia e o PRISC - a Infraestrutura Portuguesa de Coleções Científicas de Pesquisa.

No encontro, Alexander Kellner esclareceu que veio a Portugal com a missão de procurar apoio para a reconstituição do Museu brasileiro e deixou claro que «o grande desafio não é o dinheiro, mas o acervo que não vamos conseguir alcançar sem apoio internacional». Um apoio já recebido de instituições oriundas de vários países como Alemanha, Inglaterra, França, EUA e Áustria e que agora espera obter em Portugal.

Sobre este apoio, no encontro, Marta Lourenço, Diretora do MUHNAC-ULisboa afirmou: «parece-me da maior importância que se estreitem os laços entre o Museu Nacional e os museus portugueses e que se aprofundem as nossas redes no sentido de uma reflexão conjunta, da partilha de experiências, do desenvolvimento mútuo de atividades de pesquisa e extensão, cruzando artes, ciências e humanidades, para benefício da cultura, da educação e da memória de todas e de todos sem exceção, no Brasil e em Portugal».

Mais do que procurar reconstruir as coleções científicas, o objetivo do Museu brasileiro é conseguir 10 mil exemplares com valor expositivo, que serão divididos em quatro circuitos expositivos ao longo de uma área de 5,5 mil metros quadrados. (ver campanha de doação de acervo #recompõe.

Alexander Kellner, não esconde que apesar da tragédia que o incêndio constituiu para o Museu, há que olhar para o futuro e ver as oportunidades. «O que nos ficou? A oportunidade para fazer uma instituição que possa servir de modelo para outras instituições na América do Sul, com uma visão mais moderna, mais inclusiva, que ajude a desempenhar melhor as nossas atividades. Esta é uma grande oportunidade», afirmou.

Uma oportunidade que terá o contributo do MUHNAC-ULisboa, como explica Marta Loureço. «Julgo poder dizer, em nome de todos, que, mais do que solidários com o Museu Nacional, sentimo-nos inspirados com o novo Museu e queremos contribuir, com coisas concretas como acervos, exposições e o que mais se verá, mas também com o nosso entusiasmo e a nossa paixão pelos museus – que partilhamos todos – e pelo incrível poder que têm em transformar as sociedades através do conhecimento, da beleza, da imaginação, e dessa extraordinária aventura que nos faz ser humanos, geração após geração».

 

Vídeo de Alexander Kellner sobre a visita ao MUHNAC

 

História

O Museu Nacional do Rio de Janeiro foi fundado em 1818 por D. João VI, à data com o nome de Museu Real e reunia coleções de mineralogia e zoologia, assim como, acervo da antiga Casa de História Natural, criada em 1784 pelo Vice-Rei Luís de Vasconcelos e Sousa.

Em 1946 foi incorporado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, assumindo-se no decorrer no século XX como um dos mais importantes Museus de história natural na América do Sul.

Antes do incêndio em 2018, o Museu contava com mais de 20 milhões de objetos no seu acervo dividido pelas coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia, antropologia biológica, arqueologia e etnologia.

Possui uma das maiores bibliotecas especializadas em ciências naturais do Brasil, com mais de 470 000 volumes e 2 400 obras raras que não foi atingida pelo incêndio.

Mais informação em Museu Nacional UFRJ