Entrevista com Edward Longmire: Ir à Antártida é uma visita a outro planeta

Edward Longmire, apresenta no MUHNAC-ULisboa a exposição fotográfica “Antártida fora de equilíbrio”, com abertura a 16 de dezembro. 

Autor da fotografia: anónimo

Originalmente de Londres, Inglaterra, onde trabalhou durante alguns anos na área financeira, em 2001, Edward Longmire mudou-se para a Europa Oriental. Atualmente vive em Praga, na República Checa, onde se formou na FAMU- Czech National Film School.

Depois de ter viajado por todo o mundo, e passado por países como a Índia, o Paquistão, o Peru, a Argentina, o Chile, a Austrália, Marrocos, a Coreia, a Rússia, entre muitos outros, hoje, o fotógrafo afirma estar «convencido de uma coisa: o mundo é pequeno e está cada vez menor. E as pessoas são basicamente as mesmas».

Nos próximos dois meses (até 27 de fevereiro), Edward Longmire, apresenta no MUHNAC-ULisboa a exposição fotográfica “Antártida fora de equilíbrio”, que estará patente a partir de 16 de dezembro. Uma exposição que pretende dar a conhecer à maioria das pessoas um ecossistema que está em rápido declínio devido às alterações climáticas. Falámos com o fotógrafo que nos contou como foi a sua experiência na Antártida.

 

MUHNAC: Como começou a sua paixão por fotografia e como se tornou fotógrafo?

Edward Longmire: Desde que me lembro sempre tive uma câmara. O meu pai era um fotógrafo entusiasta e acho que a decisão de eu ter uma câmara foi imediata. A capacidade de registar a vida de uma pessoa, fazer uma fotografia de forma criativa que traga prazer a outra pessoa, e a simples engenhoca envolvida só foi contida pelo custo da película …para uma criança de 10 anos, um rolo de película de 35 mm era caro. Durante um tempo deixei de fotografar, mas depois, com uma vingança, quando surgiu o digital há cerca de 20 anos a minha paixão voltou … e deste então nunca mais a deixei.

 

MUHNAC: No MUHNAC vai apresentar uma exposição sobre uma viagem que fez à Antártida. Como surgiu esta ideia? O que o motivou?

Edward Longmire: Cada vez mais lia nos jornais artigos sobre o aquecimento global e os estragos que estava a causar ao ambiente. Com a quantidade de viagens que fazia, sabia que a minha atividade tinha um preço, especialmente no que diz respeito à minha utilização de voos comerciais. Queria devolver qualquer coisa à sociedade e decidi criar a oportunidade de mostrar um mundo que está fora do alcance da maioria das pessoas, e que estava em perigo de desaparecer para sempre, caso não fossem tomadas medidas rapidamente. Mas como poderia chegar lá de forma razoavelmente barata e rápida?

 

MUHNAC: Como foi a experiência da viagem? O que vai guardar na memória para sempre?

Edward Longmire: Fui numa visita organizada à Antártida em “last minute”. Depois de ainda em criança assistir às viagens do Jacques Cousteau a estes ambientes inóspitos, sempre tive a ambição de lá ir. O facto de agora estar equipado com uma Nikon 850 parecia quase secundário: eu já tinha uma experiência significativa em fotografia depois de ter frequentado a escola de cinema em Praga há uns anos atrás, e já era normal trabalhar em terreno desconhecido.

 

MUHNAC: Como é estar na Antártida?

Edward Longmire: Como nada que existe na Terra. A calma, o silêncio, a desolação e mesmo assim a enormidade, a magnificência e o esplendor de tudo aquilo. É verdadeiramente uma visita a outro planeta. Foram precisos dois dias para conseguirmos chegar mesmo ao continente.

 

MUHNAC: Como fotógrafo, qual foi a sua abordagem ao fotografar Antártida. O que procurava quando tirava uma fotografia?

Edward Longmire: Não sou um fotógrafo de vida selvagem, nem tenho as lentes apropriadas para isso, portanto direcionei-me mais para a paisagem e as formações de animais. Mesmo assim, para mim, foi perfeitamente satisfatório porque acredito que trouxe algo diferente. Se tivesse um grande equipamento de fotografia, provavelmente teria ficado preguiçoso. Tive de encarar cada fotografia como uma construção, e não um aspeto em particular. Os fotógrafos de vida selvagem aproximam-se muito do território dos postais, mas é isso que é tão extraordinário na Antártida: os animais, apesar da desolação total do local, parecem estar em casa e muito confortáveis.

 

MUHNAC: Qual é a grande mensagem que quer transmitir com esta exposição?

Edward Longmire: Vamos proteger o nosso planeta. É o único que nós temos. E, neste momento, não estamos a fazer um trabalho muito bom em relação a isso.

 

MUHNAC: Porque escolheu o MUHNAC-ULISBOA para apresentar o seu trabalho?

Edward Longmire: Facilmente pareceu-me ser o local mais apropriado para chegar ao meu público alvo, numa cidade que eu amo e que sei que tem muitas pessoas com ideias semelhantes que vivem aqui, por isso fiquei encantado que o MUHNAC-ULisboa tenha concordado com a ideia!

 

Entrevista por Lúcia Vinheiras Alves

 

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