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yby

Exposição de Arte e Ciência

Data

20 Janeiro - 25 Fevereiro 2024

Local

Sala Azul | Museu

Exposição da artista plástica Isabel Romero

Pequenos fragmentos da Natureza

A Exposição Yby de Isabel Romero posiciona-se na sua relação com a terra, com o solo, com o chão, como nos explica a artista, “YBY em tupi, uma das línguas indígenas brasileiras, significa o solo, o chão onde se pisa, a terra ou o pó.” As doze fotografias são momentos das caminhadas de Isabel Romero por Portugal. Nestas paisagens a artista captou o espírito do lugar. O seu trabalho carrega também o tempo, o chão, a terra e o pó como nos sugere o título da exposição. As fotografias não ficam presas à sua dimensão, há uma nítida dilatação do espaço onde a obra encontra o tempo e se projeta no Brasil dos índios Tupis.

Estes trabalhos fotográficos são essencialmente de assimilação e de sensibilidade estética, como a poesia bucólica. A narrativa da exposição conta a história de memórias de Isabel Romero e dos vestígios que vêm ao seu encontro deixados por outros. “Procurava a paz daqueles caminhos àquela hora, entre a tarde e a noite, uma cigarra invisível sussurrando o mesmo canto. Os velhos muros húmidos em ruína, invadidos de heras e trepadeiras sensíveis ao vento. Parou e sem os seus passos ouvia o silêncio mover-se”[1]. A artista tem como compromisso um percurso harmonioso de associações livres dos frag­mentos captados, guardados e agora expostos.

O tema da exposição é um pretexto para se pensar na fragilidade destes fragmentos da Natureza e do nosso dever de os proteger e conservar. Podemos observá-los como se estivéssemos a olhar para o a paisagem em vez de estarmos concentrados na sua degradação. A beleza destas fotografias leva-nos a contemplar a harmonia e o equilíbrio da paisagem natural. “Através do belo, o homem é como que recriado em todas as suas potencialidades e recupera sua liberdade.”[2] Liberdade essa, que também pode ser direcionada para a preservação da Natureza.

Isabel Romero revela através das suas fotografias uma índole por vezes inquietante de uma realidade que não escapa à sua tentativa de a fixar e de a transformar em arte. A própria fotografia, longe de solucionar os mistérios da representação, apenas capta a memória para chegar à estética da composição, à sua síntese. Na exposição Yby insere-se numa representação mais ou menos metafórica, mais ou menos simbólica, numa carga de autoconsciência da artista que se projeta na consciência coletiva.

A natureza é estética porque nos proporciona estados de prazer espirituais e de contemplação, tal como as doze fotografias aqui expostas suscitam uma experiência visualmente estética, independentemente de poderem inspirar outro tipo de sensações, de cruzamentos e de interações. A luz, a cor, a textura aqui representadas dão enfase à espiritualidade ainda visível que preservam os ele­mentos que compõem essas paisagens que ainda não foram destruídas, assim como esse solo pisado, constroem o lado íntimo da paisagem, o éden.

“De cima da árvore olha, e em longo alcance
Vê todos os prodígios destinados
Para o deleite e precisões dos homens;
Num distinto lugar acha em resumo
Da Natureza as opulências todas, —
Ou, melhor, vê ali um Céu na Terra:
Era o jardim de Deus, o Paraíso,
Que ele mesmo plantou no oriente do Éden”.[3]

 

[1] Clarice Lispector, in: Perto do Coração Selvagem, p. 79.

[2]Schiller, in: A educação estética do homem, p.14.

[3] John Milton, in: Paraíso Perdido, p.118.
 

Curadoria: Sofia Marçal

Inauguração: 19 janeiro, 18h00 às 20h00